{"id":2240,"date":"2025-09-29T09:23:21","date_gmt":"2025-09-29T12:23:21","guid":{"rendered":"https:\/\/monicaacciolyadvocacia.com.br\/blog\/?p=2240"},"modified":"2025-09-29T09:23:22","modified_gmt":"2025-09-29T12:23:22","slug":"stj-quitacao-integral-e-essencial-para-adjudicacao-compulsoria-teoria-do-adimplemento-substancial-nao-se-aplica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/monicaacciolyadvocacia.com.br\/blog\/stj-quitacao-integral-e-essencial-para-adjudicacao-compulsoria-teoria-do-adimplemento-substancial-nao-se-aplica\/?id=2240\/","title":{"rendered":"STJ: Quita\u00e7\u00e3o Integral \u00e9 Essencial para Adjudica\u00e7\u00e3o Compuls\u00f3ria, Teoria do Adimplemento Substancial N\u00e3o se Aplica!"},"content":{"rendered":"\n<p>Voc\u00ea comprou um im\u00f3vel, pagou a maior parte, mas por algum motivo as \u00faltimas parcelas n\u00e3o foram quitadas e o vendedor n\u00e3o cobrou? E agora, pode exigir a escritura? A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) trouxe uma decis\u00e3o importante que impacta diretamente quem busca a transfer\u00eancia da propriedade do seu im\u00f3vel. Em resumo: a teoria do adimplemento substancial n\u00e3o pode ser usada para for\u00e7ar a transfer\u00eancia do im\u00f3vel (adjudica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria) se o valor total n\u00e3o foi pago.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vamos entender o que isso significa em uma linguagem mais simples.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que \u00e9 Adjudica\u00e7\u00e3o Compuls\u00f3ria?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Imagine que voc\u00ea comprou um im\u00f3vel, pagou tudo direitinho, mas o vendedor se recusa a passar a escritura para o seu nome. A adjudica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o judicial que permite ao comprador exigir que a propriedade seja transferida para ele, mesmo contra a vontade do vendedor. \u00c9 uma forma de garantir o seu direito \u00e0 propriedade quando o contrato foi cumprido.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E a Teoria do Adimplemento Substancial?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Essa teoria \u00e9 um princ\u00edpio do direito que busca a justi\u00e7a e a boa-f\u00e9 nos contratos. Ela diz que, se uma parte cumpriu a maior parte de suas obriga\u00e7\u00f5es em um contrato (ou seja, o &#8220;adimplemento&#8221; foi &#8220;substancial&#8221;), e a parte que falta \u00e9 muito pequena ou insignificante, n\u00e3o seria justo terminar o contrato por completo. Em vez disso, a parte que n\u00e3o cumpriu totalmente deveria ser cobrada apenas pela parte que falta, e o contrato principal seria mantido. O objetivo \u00e9 evitar que pequenas falhas causem a rescis\u00e3o de contratos que j\u00e1 atingiram seu prop\u00f3sito principal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Caso em Quest\u00e3o: Prescri\u00e7\u00e3o e Adjudica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o do STJ surgiu de um caso onde um casal comprou um im\u00f3vel em 2007, pagou cerca de 80% do valor, mas as \u00faltimas parcelas n\u00e3o foram quitadas. A incorporadora, por sua vez, n\u00e3o cobrou essas parcelas ao longo dos anos, o que levou o casal a pedir na justi\u00e7a o reconhecimento da prescri\u00e7\u00e3o (ou seja, que o direito da incorporadora de cobrar a d\u00edvida havia expirado pelo tempo) e, consequentemente, a adjudica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria do im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p>O Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo (TJSP) reconheceu a prescri\u00e7\u00e3o da d\u00edvida, mas negou a adjudica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria, entendendo que a quita\u00e7\u00e3o integral do contrato \u00e9 um requisito essencial para a transfer\u00eancia da propriedade. O casal recorreu ao STJ.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Decis\u00e3o do STJ: Por que a Teoria N\u00e3o se Aplica Aqui?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Ministra Nancy Andrighi, relatora do caso no STJ, explicou que, embora a teoria do adimplemento substancial seja importante para a boa-f\u00e9 contratual, ela n\u00e3o se encaixa na adjudica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A raz\u00e3o \u00e9 clara:<\/p>\n\n\n\n<p>Quita\u00e7\u00e3o Integral: Para que o comprador tenha o direito de exigir a transfer\u00eancia da propriedade (a escritura), ele precisa ter pago o valor total combinado. A adjudica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria \u00e9 um direito que nasce da quita\u00e7\u00e3o completa do pre\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Risco de Incentivo ao Inadimplemento: Se a teoria do adimplemento substancial fosse aplicada \u00e0 adjudica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria, isso poderia criar um &#8220;incentivo ao calote&#8221;. Ou seja, os compradores poderiam deixar de pagar as \u00faltimas parcelas, sabendo que, mesmo assim, conseguiriam a propriedade do im\u00f3vel. Isso seria contr\u00e1rio ao princ\u00edpio da boa-f\u00e9 contratual, que exige honestidade e cumprimento das obriga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, mesmo que a d\u00edvida das \u00faltimas parcelas tenha prescrito, isso n\u00e3o significa que o pre\u00e7o total do im\u00f3vel foi quitado. A prescri\u00e7\u00e3o impede a cobran\u00e7a da d\u00edvida, mas n\u00e3o a transforma em pagamento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais as Alternativas para o Comprador?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Ministra Nancy Andrighi indicou dois caminhos para o casal (e para qualquer comprador em situa\u00e7\u00e3o semelhante) regularizar o im\u00f3vel:<\/p>\n\n\n\n<p>Acordo com o Vendedor: Tentar negociar com a parte vendedora para quitar o saldo devedor (mesmo que prescrito) e obter a escritura amigavelmente.<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00e7\u00e3o de Usucapi\u00e3o: Se o comprador preencher os requisitos legais para a usucapi\u00e3o (tamb\u00e9m conhecida como prescri\u00e7\u00e3o aquisitiva), ele poder\u00e1 buscar a propriedade do im\u00f3vel por essa via. A usucapi\u00e3o \u00e9 um modo de adquirir a propriedade de um bem pela posse prolongada, cont\u00ednua e pac\u00edfica, sob certas condi\u00e7\u00f5es estabelecidas em lei.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o: A Import\u00e2ncia da Quita\u00e7\u00e3o e da Boa-F\u00e9<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Essa decis\u00e3o do STJ refor\u00e7a a import\u00e2ncia da quita\u00e7\u00e3o integral do pre\u00e7o em contratos de compra e venda de im\u00f3veis para garantir o direito \u00e0 adjudica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria. A boa-f\u00e9 objetiva, embora fundamental, n\u00e3o pode ser interpretada de forma a desvirtuar a ess\u00eancia do contrato e incentivar o n\u00e3o cumprimento das obriga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea est\u00e1 comprando um im\u00f3vel ou tem d\u00favidas sobre a regulariza\u00e7\u00e3o da sua propriedade, \u00e9 fundamental buscar orienta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica especializada. Um advogado poder\u00e1 analisar seu caso, verificar os requisitos e indicar o melhor caminho para garantir seus direitos e a seguran\u00e7a do seu patrim\u00f4nio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para mais detalhes, voc\u00ea pode consultar o ac\u00f3rd\u00e3o no REsp 2.207.433.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea comprou um im\u00f3vel, pagou a maior parte, mas por algum motivo as \u00faltimas parcelas n\u00e3o foram quitadas e o vendedor n\u00e3o cobrou? E agora, pode exigir a escritura? A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) trouxe uma decis\u00e3o importante que impacta diretamente quem busca a transfer\u00eancia da propriedade do seu im\u00f3vel. Em &hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":2088,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[49],"class_list":["post-2240","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-imobiliario","tag-direitoimobiliario"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/monicaacciolyadvocacia.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2240","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/monicaacciolyadvocacia.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/monicaacciolyadvocacia.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/monicaacciolyadvocacia.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/monicaacciolyadvocacia.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2240"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/monicaacciolyadvocacia.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2240\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2241,"href":"https:\/\/monicaacciolyadvocacia.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2240\/revisions\/2241"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/monicaacciolyadvocacia.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2088"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/monicaacciolyadvocacia.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2240"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/monicaacciolyadvocacia.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2240"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/monicaacciolyadvocacia.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2240"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}